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terça-feira, 15 de março de 2011

Viva a cachaça nossa de cada dia

Eu que fazia da vida uma grande brincadeira. Minha cachaça era descobrir. Criava sentidos, coloria as pessoas e achava graça de tudo. Ainda hoje tenho sintomas dessa bebedeira: rio demais e não sou lá muito boa com interpretações pequenas.
Nunca fui muito responsável. Ocasionalmente, me atrapalho com as obrigações da vida. Ou faço por que quero, ou porque realmente tanto faz. Mas, de uns tempos prá cá, as opções vêm ficando escassas. E então, bebo da fonte 'inconsequência'. Fico alegre e dura pouco. Ô cachaça ruim! A ressaca, insuportavelmente triste, faz a realidade parecer cinco vezes mais intensa do que o comum. E vou levando.


Hoje bebo, bebo, bebo mas continuo sóbria.
Agora tenho a plena certeza de que preciso reencontrar uma cachaça boa pra chamar de minha.


"Não me deixe viver o que posso. Que me seja permitido desaprender os limites."

Fabrício Carpinejar