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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

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"Um 'A' no início e o mar fica maior" 
Pedro Pondé 

"Há coisas que são preciosas por não durarem"
A Lenda dos Guardiões, 2010



Para as 19h de uma segunda-feira, o dia estava comum. Conversávamos sobre as possibilidades desta vida e uma certeza: a morte. Minha mãe, no alto dos seus quase cinquenta, discorria sobre a missão dela. Em uma espécie de perspectiva mórbida, eu, aos 21 anos; e minha sis, aos 24, já estaríamos encaminhadas - o que dava a ela permissão para encerrar os trabalhos aqui na Terra.

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No papel eu deslizava a mão, que ia dando forma a pensamentos - preguiçosos e aleatórios - daquela noite. Um A em letra de forma. Continuava a escutar minha mãe, a voz dela soava como um plano de fundo musical em harmonia com o ambiente. Compartilhar pensamentos sobre a vida sempre aguçou a minha observância em universos alheios. Estava calma e concentrada, gostava de ouvi-la - apesar de discordar, mentalmente, de quase tudo que dizia.

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Ela prosseguiu. Parecia não se incomodar com a ideia de morrer, nem o modo de como isso poderia acontecer. Estávamos habilitadas para ser gente grande. Diferenciar o certo e o errado, aguentar as consequências dos próprios atos e administrar - aos tombos, ela disse - uma casa.

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Não me incomodava a indiferença em relação à própria morte. Também sempre fui prática com certezas desgostosas. A sentença de uma auto-habilitação para a morte mexia comigo. Era uma espécie de suicídio, quando a gente não sabe o que é pior: a dor por perder um ente ou a dor por ele ter decidido partir.