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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quando eu descobri.

Eram três. Três porque eu gosto do número. Na verdade, é quase sempre mais profundo do que parece ser.

Número um: a minha boca violentava cada pedaço que eu queria matar em mim. Falava de fora pra fora. Não podia parar. Mas a vida foi lá e me suicidou. Fez com que eu criasse um veneno pra extirpar todos aqueles pedaços, todos. E foi deliciosamente progressivo. O poder do antagonista. Talvez esteja aí um apreço imenso por vilões humanos. A vida que habita em mim se curou.

***

Número dois: neutralizar o veneno nunca foi um processo rápido. Tipo quando você não imagina que o antídoto pra o veneno da cobra vem do próprio animal. E aí que os pedaços começam a fazer parte de algo muito maior. Ô Natureza sabida: o veneno é você, o antídoto também.

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Número três; observar, observar. Aquilo de assistir ao rio correr, sentada em uma margem, sem mover sequer uma pedra. Ouvir o som que água faz ao percorrer cada instante de espaço vazio. Observando, de olhos fechados... levando fé no curso do rio.

E lá se vão três medos meus; logo quando eu descobri o poder deles...

domingo, 24 de agosto de 2014

mais um, mais um... pra ser mais!

Hoje é dia de balanço. Não me lembro ter escrito algo sobre o meu velho ano. Amanhã são 23. Vinte e três invernos e mais um ano-novo...

Only several miles from the sun e uma certeza de que esse caminho é meu, propriamente meu, eu, comigo. Assumo as responsabilidades e sigo. Adiante, em frente, aqui e agora. Eu sigo escutando minha chama interna, que me move exatamente pra o lugar mais distante e, paradoxalmente, mais perto de mim. Tenho serenidade pra entender os meus sinais. Tenho gratidão pra aceitar os desafios e caminhar. Adiante, em frente, aqui e agora. Sigo os movimentos da vida, que me levam pro distante, pro conexo, completamente pra mim... e leve, leve, leve...

Eu movimento, eu inspiro, eu sou GRATA à vida celebrando a minha experiência, celebrando o meu crescimento, celebrando a minha curiosidade, a busca por novos saberes e a minha incapacidade de entender essa imensidão de coisas que, só por estar apta a enxergar o meu não-saber, também sou grata.

Gratidão a todas as coisas da vida, gratidão aos desafios, gratidão à verdade interior, gratidão a mim SENDO, preenchendo cada espaço com o que há de meu, que me conecta com a vida, com o meu amor. Amor a todas as coisas que são... pra SER MAIS!

Melhor presente de aniversário não há.

Feliz vinte e três anos, lulu na lua. Feliz(idade)!
paz. E muitos anos no que você quer chamar de lua...

domingo, 17 de agosto de 2014

Eu não sei, não. Você costumava ser minha companhia, minha companhia. Eu não sei, não. 515 dias e um. Um só. Mas quantos mais? Você me disse que queria um texto seu aqui. Que isso era de alguém. Eu não sei, não. Às vezes, a mente da gente dá um nó que não dá pra enxergar um palmo do que é pra ver. E que, na verdade, são pedaços meus aqui: remendados, colados, amarrados pra voltarem a ser um só. Só um.

Assistir ao rio correr dá uma imensa vontade de entrar na água - de novo - e remar, remar, remar, pra onde quer que seja. Isso de deixar as coisas seguirem seu curso não é fácil, não. E sabe? Injustiça mesmo é carregar todas as pedras desse rio, não deixar escapulir nada desse diacho que, pesado, demora a sair do lugar, demora a se deixar levar...

515 dias e um... Mas quando?

domingo, 15 de junho de 2014

louvor ao amor por este momento, em sua perfeição


"Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar aval sim,
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou ser coroado rei de mim."

domingo, 30 de março de 2014

sobre observar e absorver

Eu vi. Instantes depois de uma ligação, consegui ter cinco segundos de clareza. E sabe o quê? O caminho está completamente avesso a mim. Me tiraram da rota, do eixo...e fui eu. Foram cinco segundos, apenas cinco. Precisava anotar aqueles lampejos de boa fé que a gente tem quando a desgraça é próxima. Depois chorei. Chorei porque sabia exatamente que a minha amargura em relação a duas vidas não muda o que elas são ou dão. (É que é mais fácil fechar a janela do próprio quarto do que observar a mesma paisagem todos os dias... e reinventar beleza). Mas minha janela sempre esteve aberta. Só não chegaria a um lugar mais distante senão a um palmo de mim. E, à frente, um espelho. A linguagem tinha de ser sobre aquela, aqueeela boa fé que a gente tem de ser na vida. Pra observar as paisagens e absorver nos detalhes a leveza de se sentir parte de alguma coisa. Minha janela continua aberta - e eu preciso enxergar de novo.



“Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor
e insistir em usar os remos,
é o mal que a água faz quando se afoga e 
o salva-vidas não está lá porque não vemos” 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Escrevo porque sou melancólica e confusa - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque na cabeça os pensamentos me nutrem, me sucumbem e me paralisam - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque exagero, dramatizo, crio hipóteses - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque passou, mas ninguém viu. Mudo - ou não - mas que mudou.