O que eu quero ainda não tem nome. Tenho de inventar. Um emprego como jornalista não me cabe. Relacionamento como deve ser não me veste. Drogas não me divertem. Estou atenta, vejo de um lugar de cima, e não gosto de me ver aqui. Às vezes, cansa. É que preciso ainda inventar uma vida sem nome para viver. Talvez me sinta tão presa por ter acumulado esses tantos nomes ao longo do tempo. Não me cabem. Tudo que tem nome me limita. Conselhos me incomodam. Enxergo sozinha na experiência do outro. O nome conselho me incomoda. Reinventei. Criei a magia do encontro para nomeá-los. Uma vida muito só, é verdade. Mas sinto muito prazer reinventando nomes. Religião me repulsa. Às vezes, cansa. Canso de mim. Queria desejar nomes que já existem. "Quero ser escritora, me divertir com meus amigos e pensar como a vida é boa". Não! Tenho de inventar todos os dias coisas novas para querer. Entre os desejos, a vida me dá um repouso. Ora! Palavras me acompanham. Gosto do português, é o que sei. Já inventei até um nome para minha profissão. Enjoarei dele depois. "Trabalho com o uso da palavra escrita", eu digo mentalmente. Tem riso no rosto para as coisas que já tem nome de outras coisas na minha vida. Para outras, hora ou outra, não. Gosto tanto dessa liberdade, mesmo ainda sem experimentar. É que lampejos dela me sucedem na magia do cotidiano. Me fazem vítima, apesar de ser a responsável pelo que me acontece. Em paradoxos. E eu, apenas eu, terei de inventar a chave do sabor da liberdade. O que me limita é estranhamente o que me inquieta. Já criei o meu mundo, e ele está cada vez mais forte. Meu desejo mesmo é inventar essa vida por inteiro, sem denominação. Às vezes, cansa. Quando encontrar a magia da vida em excelência, eu me conto. Aliás, faço o uso da palavra escrita da forma que eu quiser.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2017
segunda-feira, 16 de janeiro de 2017
Sou porque somos
Nunca foi tão difícil escrever. A expectativa sobre meus escritos me levam para a paralisia criativa. De uns tempos para cá, sonho em escrever bem. O medo em não fazer isso direito me deixa incapaz de escrever. Reflexos de uma confusão que acompanha a mente. Expressão densa de mim mesma. Sonhei com uma consciência coletiva e tive a certeza de que eu sou porque somos. Passar algum tempo fora, desconectada das minhas relações mais próximas, resgatou em mim a vontade de conexões profundas, densas, complexas... como é a vida: incontáveis teias que se misturam com os encontros. Me expressar é emocionante. Umas leituras sobre ter a lua em Peixes talvez tenham me dado conforto e força para aceitar essa confusão que sou. Até que hora ou outra eu gosto dela. Às vezes, é bom me sentir parte de alguma coisa. Escrevendo, eu sinto que sou. Ainda que a conexão entre um parágrafo e outro seja meio descabida. Assim é. Assim me nutre. Tem energia passando pelo coração. Que paz.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2016
Felicidades cotidianas
Talvez por isso as máquinas quebradas me deixam tão triste.
Elas não servem aos seus propósitos. Talvez seja igual com as pessoas:
se você perde o seu propósito, é como estar quebrado. ” (Hugo Cabret)
segunda-feira, 24 de agosto de 2015
amor.
Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. A mor.
Comprei algumas gordices para o meu café da manhã e duas velas: 2 e 4. Das sincronicidades da vida, duas sílabas e quatro letras também: A -MOR. Que se expande para todos os encontros, desencontros e reencontros dos 23. A-mor em SER. Que expande para uma escuta atenta e fala do coração. Ouvinte e aprendiz dos encontros, assim por dizer. Semeio um tanto de mim e me encontro fértil para brotar um tico mais... em mais um ciclo!
Respeito. Eu me vejo e eu te vejo. Na dança dos encontros, sigo envolta na confiança em mim, no outro e na vida.
Comunicação clara, verdadeira e honesta. Feito uma névoa azul que envolve cuidado, carinho e atenção na relação comigo e com o outro.
Açúcar e afeto na idade que chega para eu chamar de minha. Estou 24. Que seja doce feito os bis doces que comprei para mim.
"Amor é a única coisa capaz de transcender as dimensões do tempo e do espaço. Talvez devêssemos confiar nisso ainda que não compreendamos". (Interestelar, 2014).
quinta-feira, 20 de novembro de 2014
Quando eu descobri.
Eram três. Três porque eu gosto do número. Na verdade, é quase sempre mais profundo do que parece ser.
Número um: a minha boca violentava cada pedaço que eu queria matar em mim. Falava de fora pra fora. Não podia parar. Mas a vida foi lá e me suicidou. Fez com que eu criasse um veneno pra extirpar todos aqueles pedaços, todos. E foi deliciosamente progressivo. O poder do antagonista. Talvez esteja aí um apreço imenso por vilões humanos. A vida que habita em mim se curou.
***
Número dois: neutralizar o veneno nunca foi um processo rápido. Tipo quando você não imagina que o antídoto pra o veneno da cobra vem do próprio animal. E aí que os pedaços começam a fazer parte de algo muito maior. Ô Natureza sabida: o veneno é você, o antídoto também.
***
Número três; observar, observar. Aquilo de assistir ao rio correr, sentada em uma margem, sem mover sequer uma pedra. Ouvir o som que água faz ao percorrer cada instante de espaço vazio. Observando, de olhos fechados... levando fé no curso do rio.
E lá se vão três medos meus; logo quando eu descobri o poder deles...
domingo, 24 de agosto de 2014
mais um, mais um... pra ser mais!
Hoje é dia de balanço. Não me lembro ter escrito algo sobre o meu velho ano. Amanhã são 23. Vinte e três invernos e mais um ano-novo...
Only several miles from the sun e uma certeza de que esse caminho é meu, propriamente meu, eu, comigo. Assumo as responsabilidades e sigo. Adiante, em frente, aqui e agora. Eu sigo escutando minha chama interna, que me move exatamente pra o lugar mais distante e, paradoxalmente, mais perto de mim. Tenho serenidade pra entender os meus sinais. Tenho gratidão pra aceitar os desafios e caminhar. Adiante, em frente, aqui e agora. Sigo os movimentos da vida, que me levam pro distante, pro conexo, completamente pra mim... e leve, leve, leve...
Eu movimento, eu inspiro, eu sou GRATA à vida celebrando a minha experiência, celebrando o meu crescimento, celebrando a minha curiosidade, a busca por novos saberes e a minha incapacidade de entender essa imensidão de coisas que, só por estar apta a enxergar o meu não-saber, também sou grata.
Gratidão a todas as coisas da vida, gratidão aos desafios, gratidão à verdade interior, gratidão a mim SENDO, preenchendo cada espaço com o que há de meu, que me conecta com a vida, com o meu amor. Amor a todas as coisas que são... pra SER MAIS!
Melhor presente de aniversário não há.
Feliz vinte e três anos, lulu na lua. Feliz(idade)!
paz. E muitos anos no que você quer chamar de lua...
domingo, 17 de agosto de 2014
Eu não sei, não. Você costumava ser minha companhia, minha companhia. Eu não sei, não. 515 dias e um. Um só. Mas quantos mais? Você me disse que queria um texto seu aqui. Que isso era de alguém. Eu não sei, não. Às vezes, a mente da gente dá um nó que não dá pra enxergar um palmo do que é pra ver. E que, na verdade, são pedaços meus aqui: remendados, colados, amarrados pra voltarem a ser um só. Só um.
Assistir ao rio correr dá uma imensa vontade de entrar na água - de novo - e remar, remar, remar, pra onde quer que seja. Isso de deixar as coisas seguirem seu curso não é fácil, não. E sabe? Injustiça mesmo é carregar todas as pedras desse rio, não deixar escapulir nada desse diacho que, pesado, demora a sair do lugar, demora a se deixar levar...
515 dias e um... Mas quando?
domingo, 15 de junho de 2014
louvor ao amor por este momento, em sua perfeição
domingo, 30 de março de 2014
sobre observar e absorver
e insistir em usar os remos,
é o mal que a água faz quando se afoga e
terça-feira, 7 de janeiro de 2014
Escrevo porque sou melancólica e confusa - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque na cabeça os pensamentos me nutrem, me sucumbem e me paralisam - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque exagero, dramatizo, crio hipóteses - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque passou, mas ninguém viu. Mudo - ou não - mas que mudou.
