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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

empreendedora cansada das coisas

O que eu quero ainda não tem nome. Tenho de inventar. Um emprego como jornalista não me cabe. Relacionamento como deve ser não me veste. Drogas não me divertem. Estou atenta, vejo de um lugar de cima, e não gosto de me ver aqui. Às vezes, cansa. É que preciso ainda inventar uma vida sem nome para viver. Talvez me sinta tão presa por ter acumulado esses tantos nomes ao longo do tempo. Não me cabem. Tudo que tem nome me limita. Conselhos me incomodam. Enxergo sozinha na experiência do outro. O nome conselho me incomoda. Reinventei. Criei a magia do encontro para nomeá-los. Uma vida muito só, é verdade. Mas sinto muito prazer reinventando nomes. Religião me repulsa. Às vezes, cansa. Canso de mim. Queria desejar nomes que já existem. "Quero ser escritora, me divertir com meus amigos e pensar como a vida é boa". Não! Tenho de inventar todos os dias coisas novas para querer. Entre os desejos, a vida me dá um repouso. Ora! Palavras me acompanham. Gosto do português, é o que sei. Já inventei até um nome para minha profissão. Enjoarei dele depois. "Trabalho com o uso da palavra escrita", eu digo mentalmente. Tem riso no rosto para as coisas que já tem nome de outras coisas na minha vida. Para outras, hora ou outra, não. Gosto tanto dessa liberdade, mesmo ainda sem experimentar. É que lampejos dela me sucedem na magia do cotidiano. Me fazem vítima, apesar de ser a responsável pelo que me acontece. Em paradoxos. E eu, apenas eu, terei de inventar a chave do sabor da liberdade. O que me limita é estranhamente o que me inquieta. Já criei o meu mundo, e ele está cada vez mais forte. Meu desejo mesmo é inventar essa vida por inteiro, sem denominação. Às vezes, cansa. Quando encontrar a magia da vida em excelência, eu me conto. Aliás, faço o uso da palavra escrita da forma que eu quiser.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sou porque somos

Nunca foi tão difícil escrever. A expectativa sobre meus escritos me levam para a paralisia criativa. De uns tempos para cá, sonho em escrever bem. O medo em não fazer isso direito me deixa incapaz de escrever. Reflexos de uma confusão que acompanha a mente. Expressão densa de mim mesma. Sonhei com uma consciência coletiva e tive a certeza de que eu sou porque somos. Passar algum tempo fora, desconectada das minhas relações mais próximas, resgatou em mim a vontade de conexões profundas, densas, complexas... como é a vida: incontáveis teias que se misturam com os encontros. Me expressar é emocionante. Umas leituras sobre ter a lua em Peixes talvez tenham me dado conforto e força para aceitar essa confusão que sou. Até que hora ou outra eu gosto dela. Às vezes, é bom me sentir parte de alguma coisa. Escrevendo, eu sinto que sou. Ainda que a conexão entre um parágrafo e outro seja meio descabida. Assim é. Assim me nutre. Tem energia passando pelo coração. Que paz.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Felicidades cotidianas


Um escritório onde era um quarto. Um pulo lá no futuro. Estar de volta à rotina parece ter acordado um delicioso prazer pelos pequenos hábitos cotidianos. Ouvir música de manhã cedinho em direção ao trabalho, tomar café na paz ainda que muito atrasada... aquelas felicidades íntimas que a gente encontra no simples e só redescobre quando passa um tempo sem fazer.

Lembra-me de quando vou para a academia, vez ou outra, saboreando a sensação de estar caminhando em direção a mim mesma. Com toda minha presença, acompanhada por uma playlist que costuma dar ainda mais energia para ambas caminhadas. Outra felicidade cotidiana.

“Tudo tem um propósito, até as máquinas. 
Os relógios dizem as horas e os trens levam a algum lugar. Elas servem ao seu propósito.
Talvez por isso as máquinas quebradas me deixam tão triste.
Elas não servem aos seus propósitos. Talvez seja igual com as pessoas:
se você perde o seu propósito, é como estar quebrado. ”
(Hugo Cabret)

Então, perco celular, pneu, calota, biquíni e a palavra que me chega é encontro. Não imaginava que perder objetos fosse estímulo para ressignificar processos e propósito. (A gente não imagina um punhado das possibilidades até precisar pensar nelas.) Em todos os dez dias que passei sem celular, me permiti ressignificar. "O que realmente importa? Do que eu realmente preciso para ser feliz?" Ter ficado sem whatsapp, por exemplo, estimulou-me a constatar: o urgente toma o lugar do importante cotidianamente. Desfrutar o encontro com o silêncio, olho no olho, conversa, presença,  PRESENTE. Mais felicidades cotidianas.

Aí me vem a palavra decrescimento. Escutei em uma roda de troca no final de dezembro. Etimologicamente, vem de descrença.  Degrowth em inglês. Um movimento político que consiste em, digamos, pensar fora da lógica da posse do excesso. São oito erres. Reavaliar, reconceituar, reestruturar, redistribuir, relocalizar, reduzir, reutilizar e reciclar. Em um google, dá para saber mais. (Veja aqui onde li mais!) (E aqui também!). Em mim, decrescer reverberou assim: para a festa de virada, ressignifiquei um vestido (usado) que comprei em um bazar. Lindo. Azul bic com listras espaçadas em azul céu, lilás e rosa. Vestido reutilizado esse que me fez manifestar um tanto de mim, do que acredito para o mundo. E me fortaleceu. Foi lindo. Felicidade cotidiana.

"Imaginava que o mundo inteiro era uma grande máquina. As máquinas nunca vêm com peças sobressalentes, vêm sempre com a quantidade certa que precisam. Então entendi que se o mundo fosse uma grande máquina, eu não poderia ser uma peça sobressalente. Eu tinha que estar aqui por alguma razão..." (Hugo Cabret)


E então, em diversas pequenas felicidades, observei a manifestação de quem eu sou. Deixando um tanto, semeando outro bocado para ser mais (que assim seja!). E nada mais leve do que se enxergar sendo quem a gente é...

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

amor.

Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. Amor. A mor.

Comprei algumas gordices para o meu café da manhã e duas velas: 2 e 4. Das sincronicidades da vida, duas sílabas e quatro letras também: A -MOR. Que se expande para todos os encontros, desencontros e reencontros dos 23. A-mor em SER. Que expande para uma escuta atenta e fala do coração. Ouvinte e aprendiz dos encontros, assim por dizer. Semeio um tanto de mim e me encontro fértil para brotar um tico mais... em mais um ciclo!

Respeito. Eu me vejo e eu te vejo. Na dança dos encontros, sigo envolta na confiança em mim, no outro e na vida.

Comunicação clara, verdadeira e honesta. Feito uma névoa azul que envolve cuidado, carinho e atenção na relação comigo e com o outro.

Açúcar e afeto na idade que chega para eu chamar de minha. Estou 24. Que seja doce feito os bis doces que comprei para mim.

"Amor é a única coisa capaz de transcender as dimensões do tempo e do espaço. Talvez devêssemos confiar nisso ainda que não compreendamos". (Interestelar, 2014).

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quando eu descobri.

Eram três. Três porque eu gosto do número. Na verdade, é quase sempre mais profundo do que parece ser.

Número um: a minha boca violentava cada pedaço que eu queria matar em mim. Falava de fora pra fora. Não podia parar. Mas a vida foi lá e me suicidou. Fez com que eu criasse um veneno pra extirpar todos aqueles pedaços, todos. E foi deliciosamente progressivo. O poder do antagonista. Talvez esteja aí um apreço imenso por vilões humanos. A vida que habita em mim se curou.

***

Número dois: neutralizar o veneno nunca foi um processo rápido. Tipo quando você não imagina que o antídoto pra o veneno da cobra vem do próprio animal. E aí que os pedaços começam a fazer parte de algo muito maior. Ô Natureza sabida: o veneno é você, o antídoto também.

***

Número três; observar, observar. Aquilo de assistir ao rio correr, sentada em uma margem, sem mover sequer uma pedra. Ouvir o som que água faz ao percorrer cada instante de espaço vazio. Observando, de olhos fechados... levando fé no curso do rio.

E lá se vão três medos meus; logo quando eu descobri o poder deles...

domingo, 24 de agosto de 2014

mais um, mais um... pra ser mais!

Hoje é dia de balanço. Não me lembro ter escrito algo sobre o meu velho ano. Amanhã são 23. Vinte e três invernos e mais um ano-novo...

Only several miles from the sun e uma certeza de que esse caminho é meu, propriamente meu, eu, comigo. Assumo as responsabilidades e sigo. Adiante, em frente, aqui e agora. Eu sigo escutando minha chama interna, que me move exatamente pra o lugar mais distante e, paradoxalmente, mais perto de mim. Tenho serenidade pra entender os meus sinais. Tenho gratidão pra aceitar os desafios e caminhar. Adiante, em frente, aqui e agora. Sigo os movimentos da vida, que me levam pro distante, pro conexo, completamente pra mim... e leve, leve, leve...

Eu movimento, eu inspiro, eu sou GRATA à vida celebrando a minha experiência, celebrando o meu crescimento, celebrando a minha curiosidade, a busca por novos saberes e a minha incapacidade de entender essa imensidão de coisas que, só por estar apta a enxergar o meu não-saber, também sou grata.

Gratidão a todas as coisas da vida, gratidão aos desafios, gratidão à verdade interior, gratidão a mim SENDO, preenchendo cada espaço com o que há de meu, que me conecta com a vida, com o meu amor. Amor a todas as coisas que são... pra SER MAIS!

Melhor presente de aniversário não há.

Feliz vinte e três anos, lulu na lua. Feliz(idade)!
paz. E muitos anos no que você quer chamar de lua...

domingo, 17 de agosto de 2014

Eu não sei, não. Você costumava ser minha companhia, minha companhia. Eu não sei, não. 515 dias e um. Um só. Mas quantos mais? Você me disse que queria um texto seu aqui. Que isso era de alguém. Eu não sei, não. Às vezes, a mente da gente dá um nó que não dá pra enxergar um palmo do que é pra ver. E que, na verdade, são pedaços meus aqui: remendados, colados, amarrados pra voltarem a ser um só. Só um.

Assistir ao rio correr dá uma imensa vontade de entrar na água - de novo - e remar, remar, remar, pra onde quer que seja. Isso de deixar as coisas seguirem seu curso não é fácil, não. E sabe? Injustiça mesmo é carregar todas as pedras desse rio, não deixar escapulir nada desse diacho que, pesado, demora a sair do lugar, demora a se deixar levar...

515 dias e um... Mas quando?

domingo, 15 de junho de 2014

louvor ao amor por este momento, em sua perfeição


"Eu não vou mudar não
Eu vou ficar são
Mesmo se for só
não vou ceder
Deus vai dar aval sim,
o mal vai ter fim
e no final assim calado
eu sei que vou ser coroado rei de mim."

domingo, 30 de março de 2014

sobre observar e absorver

Eu vi. Instantes depois de uma ligação, consegui ter cinco segundos de clareza. E sabe o quê? O caminho está completamente avesso a mim. Me tiraram da rota, do eixo...e fui eu. Foram cinco segundos, apenas cinco. Precisava anotar aqueles lampejos de boa fé que a gente tem quando a desgraça é próxima. Depois chorei. Chorei porque sabia exatamente que a minha amargura em relação a duas vidas não muda o que elas são ou dão. (É que é mais fácil fechar a janela do próprio quarto do que observar a mesma paisagem todos os dias... e reinventar beleza). Mas minha janela sempre esteve aberta. Só não chegaria a um lugar mais distante senão a um palmo de mim. E, à frente, um espelho. A linguagem tinha de ser sobre aquela, aqueeela boa fé que a gente tem de ser na vida. Pra observar as paisagens e absorver nos detalhes a leveza de se sentir parte de alguma coisa. Minha janela continua aberta - e eu preciso enxergar de novo.



“Mas, tão certo quanto o erro de ser barco a motor
e insistir em usar os remos,
é o mal que a água faz quando se afoga e 
o salva-vidas não está lá porque não vemos” 

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Escrevo porque sou melancólica e confusa - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque na cabeça os pensamentos me nutrem, me sucumbem e me paralisam - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque exagero, dramatizo, crio hipóteses - mas ninguém sabe disso. Escrevo porque passou, mas ninguém viu. Mudo - ou não - mas que mudou.