Vi um ônibus coletivo dar ré, e minha irmã garante que não é uma coisa, no mínimo, improvável. Outra situação improvável da vida, que não dei a oportunidade dela opinar, pois não a contei, foi ver um deficiente visual vender bala de hortelã dentro desse mesmo veículo. Adoraria que os resultados do meu dia continuassem nessa linha do improvável. Isso porque fui a uma 'entrevista-cara-a-tapa-no-mercado-de-trabalho' e não gostei do que produzi.
O meu entrevistador era, ninguém mais, ninguém menos, que Giaccomo Mancine, jornalista renomado na Tv Bahia, afiliada da Rede Globo. Gente fina e modesto, ele se apresentou pelo primeiro nome - como se nós quatro, eu e os 3 concorrentes, não soubéssemos quem ele é -, e um aperto de mão. 'Prazer!' - sorri e também estendi minha mão.
Então começou. Antes de mim, os três colegas - todos do sexo masculino! - falaram. Um me chamou atenção. "Participo do grupo de pesquisa sobre cibercultura, fiz intercâmbio estudantil, já estagiei na Ascom de XXX e agora, trabalho no A Tarde.", contou o jovem que estuda na UFBA. Fiquei me perguntando o que faz uma pessoa, estagiando no segundo maior jornal impresso da Bahia, querer mesmo sair de lá? "Busco novas experiências, quero conhecer gente nova", respondeu a Giaccomo, também esclarecendo minha dúvida e dando lugar a um único adjetivo para caracterizá-lo: maluco! Só pode. Depois da ascendente trajetória do meu colega era minha vez. Então, contei sobre minha carreira e porque queria fazer parte da equipe.
O próximo passo foi escrever um texto sobre a importância da internet. Comecei toda prosa já sabendo da minha desvantagem sobre o amigo concorrente com estudos sobre a (merda da) cibercultura, que, segundo a definição extraída do blog 'Discutindo a Comunicação', é a relação entre as tecnologias de comunicação, informação e a cultura, emergentes a partir da convergência informatização/telecomunicação na década de 1970. E eu pensando que depois do texto produzido durante a 1ª etapa do processo seletivo, lá no IEL - instituição que faz o intermédio entre os estudantes e os estágio - não precisaria mais passar pelo por testes técnicos.
Ainda conto mais. Além de ser apenas uma vaga, entre os requisitos do estágio está a disponibilidade em chegar a empresa às 5h da manhã para fazer a tal da ronda. Como de costume na rotina de um jornalista, Giaccomo teve a função de informar a novidade. "Sem problemas!", afirmei tão segura que, até agora, estou acreditando em mim.