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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Quando eu descobri.

Eram três. Três porque eu gosto do número. Na verdade, é quase sempre mais profundo do que parece ser.

Número um: a minha boca violentava cada pedaço que eu queria matar em mim. Falava de fora pra fora. Não podia parar. Mas a vida foi lá e me suicidou. Fez com que eu criasse um veneno pra extirpar todos aqueles pedaços, todos. E foi deliciosamente progressivo. O poder do antagonista. Talvez esteja aí um apreço imenso por vilões humanos. A vida que habita em mim se curou.

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Número dois: neutralizar o veneno nunca foi um processo rápido. Tipo quando você não imagina que o antídoto pra o veneno da cobra vem do próprio animal. E aí que os pedaços começam a fazer parte de algo muito maior. Ô Natureza sabida: o veneno é você, o antídoto também.

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Número três; observar, observar. Aquilo de assistir ao rio correr, sentada em uma margem, sem mover sequer uma pedra. Ouvir o som que água faz ao percorrer cada instante de espaço vazio. Observando, de olhos fechados... levando fé no curso do rio.

E lá se vão três medos meus; logo quando eu descobri o poder deles...