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terça-feira, 5 de maio de 2009

fora do meu mundo egoísta;

O massacre ocorrido em Ruanda, um país africano, matou cerca de 1 milhão de pessoas em 1994. E ao assistir o filme (Hotel Ruanda), que mostra o acontecido de uma forma tocante e real, faz com que o espectador pare e pense: quanto vale uma vida?

Muitas pessoas dizem por ai que se preocupam com o futuro e outras coisas mais. Porém, não imaginam que são mais uma em milhões. e simplesmente não se importam. Além do massacre de 'Ruanda' exitem outros vários casos de desprezo à humanidade, omissão de ajuda e cegueira opcional.

Os interesses políticos e economicos não são deixados de lado quando o assunto é a vida do outro. As diferenças racias se fortificam e todo o lixo ideológico da população 'desenvolvida' vem à tona. Dinheiro e diferenciação étnica são valores cultuados até o fim. Mas esse 'até o fim', não é só uma hiperbóle pra dar força aos meus argumentos... No decorrer do massacre inúmeras famílias são destroçadas sem dó, nem piedade. E o que fizeram as grandes potências e a ONU? a resposta é nada. Omitindo para o Ocidente e pra eles mesmo, acabaram por defender mais uma vez os interesses capitalistas - e ainda dentro desse modo - o lema é: se não fornece lucro não vale a pena. E é isso que a guerra entre os hutus e tutsis - diferenciação de valor somente para os africanos -representou: um conflito do povo africano; povo pobre, negro e sem valor rentável -financeiramente falando. E mais uma vez, posso perguntar: qual é o valor de uma vida?

Pelo que parece, muito pouco aos olhos dos grandes influentes mundiais. E não foi por falta de poder. O não-fazer, não-ajudar foi uma decisão tomada de livre arbitrio, porém sem acordos oficiais, sem maiores movimentos. É simples. Sabe aquele pré-julgamento que você sabe que faz e que todo mundo sabe, mas ninguém precisa se manifestar pra - de fato - o realizarem? a conclusão é direta: todos já conhecem as regras. E assim vai fluindo, juntinho com os interesses capitalistas, onde o importante não é 'como, quem e onde', o que importa é quanto. Patrocinados pela França, os hutus se acham no direito de destruir histórias de vida, jugando ser melhores que outros (os tutsis). Mas ora, quanta hipocrisia, todos negros, da mesma cidade, vivenciando os mesmo problemas sociais, e ainda assim se julgam melhores. No entanto, se vingar de um falso inimigo, por questões historicas é muito mais fácil. Afinal, qual motivo melhor do ódio do próximo?

Assim que milhões de pessoas foram mortas, das formas mais cruéis, na capital Kigali. Os hutus usaram facões, porretes e massacram vidas e famílias inteiras. Aqueles que conseguiram escapar do genocídio, tiveram sua história completamente marcada pelo acontecido. Perderam casas, parentes, dinheiro e a dignidade. Os direitos humanos não foram validados, não pra um povo pobre e discriminado. Presidentes negros, jornalistas, agentes da ONU, todos viraram as costas para tamanha atrocidade. Um trecho marcante do filme 'Hotel Ruanda' é o quando um jornalista britânico que cobre o massacre se desculpa com o Gerente do hotel Sr. Paul (protagonista do longa) e diz: 'as pessoas vão ver e dizer: "- Oh, isso é terrivel! e vão continuar o seu jantar".' O que comprova a indiferença tanto da população quanto dos governantes de outros países.

Trazendo a questão pra os dias de hoje e saindo do foco do filme, 15 anos após o fato, pode-se afirmar que é exatamente o que acontece. Bem, o jornal faz sua parte, informa e o faz muito bem. Porém diante tantas informações, tantas atrocidades, eu culpo a mim, a você por assistir calado. A gente se intimida, porém NADA faz. Fácil dizer que o mundo e as pessoas são cruéis, né?! também concordo. Quantas crianças morrem de fome na África? Quantas pessoas de fato estão ajudando? Hipocrisia rolando solta a gente diz que o mundo está perdido, que a humanidade não tem amor ao próximo. Mas, já parou pra fazer um recorte um pouco menos amplo? Você! Realiza algum ato pra tornar menos difícil a vida de alguém? Ou até mesmo ajuda aquele filho da secretária?

Afirmo com total convicção não somos os únicos culpados, não mesmo. Mas já que não se pode controlar os atos dos nossos políticos, o único poder que nos é dado - ainda - sobre os mesmos é o voto. Votar conscientemente é se informar, buscar diferentes fontes e procurar alguém pra defender seus ideais. Tarefa bem difícil aqui no Brasil. Apesar de não concordar que a unidade é pouco, tenho que concordar que em coletivo somos mais. Em unidade, é difícil, mas não impossível. Por isso, escolher um político é tão importante - não parece - quanto caminhar pra se ter uma vida saudável. A semente de que se pode fazer um mundo melhor tem que ser cultivada. Se ela morre, nossos filhos, sobrinhos, netos e bisnetos serão afetados também.


PENSE QUE PODIA SER VOCÊ, aqui, em Ruanda, na Etiópia. Não faz diferença, ou pelo menos não deveria fazer.

2 comentários:

501 disse...

Isso foi um trabalho, ou simplesmente :' assisti o filme e escrevi sobre'? :o

(to ficando com pena dos seus concorrentes. :*)

eu =) disse...

ô 501. devo ter feito tanta bosta nesse texto... mas obrigada pelo elogio. é um incentivo a melhorar, sabia? :***

e ainda vai ter um trabalho sim. mas não é esse.